terça-feira, 29 de junho de 2010

Tiroidite de Hashimoto

A tiroidite de Hashimoto é uma doença auto-imune que leva a uma inflamação da tireóide. A tireóide é uma glândula localizada no pescoço que produz hormônios (T3 e T4) responsáveis pela regulação de vários aspectos do nosso metabolismo, como a frequência cardíaca e a queima de calorias. Ela é composta de dois lobos que se ligam através de uma “ponte” denominada istmo. Além do T3 e do T4, a tireóide também produz um hormônio chamado calcitonina, que participa da regulação do metabolismo ósseo. Todos nós temos tireóide (exceto quem nasceu sem a glândula por uma anomalia congênita, o que é muito raro, ou quem a retirou cirurgicamente). A função da tireóide é controlada por uma glândula denominada hipófise, através da secreção de um hormônio chamado TSH.

O que é uma doença auto-imune? O que é tiroidite de Hashimoto?
Doenças auto-imunes de um modo geral ocorrem quando o organismo interpreta algo próprio do indivíduo como sendo uma molécula estranha. A função do sistema imune, de uma forma simplificada, é atacar o que não é próprio ao organismo, como bactérias ou células infectadas por virus. Na doença auto-imune, o sistema imune “se engana” e passa a atacar algo que é do próprio indivíduo como se fosse estranho. Isso não quer dizer que o sistema imune está debilitado ou enfraquecido para suas outras funções. Quando a auto-imunidade se dirige à tireóide, pode causar a Tiroidite de Hashimoto ou outra doença chamada Doença de Graves. A tiroidite de Hashimoto cursa com produção de anticorpos específicos e uma inflamação da tireóide, o que pode levar a uma destruição de boa parte de suas células.

Por que tenho tiroidite de Hashimoto?
Não se sabe ao certo o que causa isto, mas há um componente genético envolvido. Fatores ambientais ainda não esclarecidos também podem estar implicados. A doença é mais comum em mulheres, especialmente de meia-idade.

Quais os sintomas de tiroidite de Hashimoto?
Algumas pessoas podem não sentir nada e ter função da tireóide normal, enquanto outras podem passar a apresentar hipotiroidismo. Este é o nome que damos à função insuficiente da tireóide. Ela pode ser detectada a partir de sintomas e sinais clínicos ou de um exame de sangue de rotina. Os sinais podem ser bastante inespecíficos e por isso muitas vezes nem percebidos pelo paciente, como constipação (“prisão de ventre”), maior sensação de frio, pele seca, inchaço, aumento de peso, fraqueza muscular, desânimo, voz rouca e aumento do colesterol. Em alguns casos, a tireóide pode estar aumentada, causando uma protuberância no pescoço, ou bócio. A causa mais comum de hipotiroidismo é, de longe, a tiroidite de Hashimoto.

Que exames são necessários?
Geralmente são necessários apenas exames de sangue, para diagnosticar e acompanhar o tratamento do quadro. No hipotiroidismo, os exames de sangue indicam diminuição dos hormônios da tireóide (T3, T4, T4 livre) e um aumento do TSH. De forma simplificada, este aumento ocorre porque a hipófise aumenta a secreção de TSH na tentativa de estimular a tireóide a trabalhar mais. O T4 livre é a forma ativa do T4, não conjugada a outras proteínas. Geralmente é suficiente a dosagem de TSH e T4 livre para avaliação da função da tireóide, sem necessidade de medir T3 ou T4 total. Anticorpos ligados à tiroidite de Hashimoto também podem ser dosados, para confirmar que esta é a causa do hipotiroidismo, como anti-tireoperoxidase (ou anti-TPO). Se houver nódulos de tireóide, outros exames podem ser necessários.

O que é hipotiroidismo subclínico?
É uma forma bastante branda de hipotiroidismo, geralmente sem sintomas, com aumento de TSH e hormônios da tireóide dentro dos valores normais. Isso quer dizer que a tireóide o próprio organismo está conseguindo manter uma função da tireóide normal graças ao estímulo extra da hipófise. O hipotiroidismo subclínico pode evoluir a uma forma avançada, com franco hipotiroidismo. Por este motivo, merece um acompanhamento especial e às vezes deve ser tratado para evitar esta evolução.

Como é feito o tratamento da tiroidite de Hashimoto?
Caso haja hipotiroidismo, é necessário tratamento clínico com reposição de hormônios da tireóide. O tratamento é simples e, se a dose da medicação estiver correta, não traz efeitos colaterais, visto que somente restaura a normalidade da função da tireóide. A medicação utilizada é a levotiroxina (forma sintética do T4), cuja dose varia de pessoa para pessoa, na forma de comprimido (oral) uma vez ao dia (em jejum). Um pouco depois do início do tratamento, há início de uma sensação de melhora do cansaço, que se perpetua ao longo das próximas 4 a 6 semanas. O tratamento é contínuo, para a vida toda. Serão feitos exames de sangue periódicos para a juste da dose adequada da medicação para o seu caso (a cada 4 ou 6 semanas). Quando esta dose for encontrada, o exame de sangue passará a ser anual.
Quando o hipotiroidismo não é tratado, pode causar problemas cardíacos, depressão, aumento do colesterol e mixedema (uma condição rara e grave que aparece em pessoas com hipotiroidismo prolongado sem tratamento adequado, com profunda deficiência de hormônios da tireóide). Em mulheres grávidas, o hipotiroidismo não tratado pode provocar problemas de desenvolvimento no feto. Por outro lado, se o tratamento for adequado, a gravidez transcorre normalmente.

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