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quarta-feira, 30 de junho de 2010

Nódulos de tireóide

O que é tireóide?
A tireóide é uma glândula localizada no pescoço que produz hormônios (T3 e T4) responsáveis pela regulação de vários aspectos do nosso metabolismo, como a frequência cardíaca e a queima de calorias. Ela é composta de dois lobos que se ligam através de uma “ponte” denominada istmo. Além do T3 e do T4, a tireóide também produz um hormônio chamado calcitonina, que participa da regulação do metabolismo ósseo. Todos nós temos tireóide (exceto quem nasceu sem a glândula por uma anomalia congênita, o que é muito raro, ou quem a retirou cirurgicamente). Quando a tireóide está aumentada, isto é denominado bócio. Os bócios podem ser difusos (aumento de toda a glândula) ou nodulares (aumento às custas de um ou mais nódulos).

O que é um nódulo na tireóide?
Algumas vezes, o tecido normal da tireóide começa a crescer, levando ao aparecimento de nódulos (“caroços”). Não se sabe exatamente porque isso ocorre e a causa pode variar conforme o tipo do nódulo. Alguns fatores parecem aumentar o risco de desenvolver nódulos de tireóide, como a genética, a idade avançada, o sexo feminino, uma exposição a radiação e algumas doenças da tireóide como tiroidite.
Os nódulos podem ser císticos (preenchidos por líquido) ou sólidos. Geralmente são benignos e causados por crescimento excessivo de células normais da tireóide (nódulos colóides). Também podem consistir de tumores benignos (adenoma folicular), de inflamaçôes da tireóide (tiroidite) ou, raramente, câncer. A maior parte dos tumores malignos de tireóide (câncer) pode ser tratada e curada.
Algumas vezes, vários nódulos são detectados na tireóide. Isso é chamado de bócio multinodular.

O que um nódulo na tireóide pode provocar?
A maioria dos nódulos é benigna e não causa sintomas. Geralmente, o próprio paciente desconhece ter um nódulo de tireóide até que este seja encontrado pelo médico no exame clínico ou por um exame de ultrassonografia. Raramente, alguns nódulos se tornam grandes e podem provocar desconforto ou dificuldade de engolir por compressão do esôfago. Em alguns casos, os nódulos produzem hormônios em excesso, levando a emagrecimento, insônia, taquicardia, nervosismo, entre outros. Apenas cerca de 5% dos nódulos de tireóide são malignos e a maior parte destes tem tratamento e cura. Um nódulo maligno (câncer) geralmente é grande e endurecido.

Que exames são necessários nos pacientes com nódulo de tireóide?
Todos pacientes com nódulos de tireóide devem ser submetidos a um exame de sangue para avaliação da função da tireóide. Geralmente, neste exame, são suficientes as dosagens de T4 livre e TSH. O T4 livre é a forma ativa do T4, não conjugada a proteínas plasmática. O TSH é um hormônio produzido pela glândula hipófise que regula a função da tireóide.
A ultrassonografia com dopplerfluxometria geralmente é utilizada para definir as características do(s) nódulo(s) e muitas vezes serve para diagnosticá-lo (s). Nos nódulos > ou = 1,0 cm ou um pouco menores mas com algumas características de risco à ultrassonografia , geralmente é necessário realizar também uma biópsia com agulha fina (punção aspirativa por agulha fina ou PAAF). Este é um procedimento simples, sem necessidade de hospitalização ou centro cirúrgico, em que uma agulha fina é introduzida no nódulo para coletar uma amostra de células presentes no seu interior. Estas células são analizadas por um patologista ao microscópio. Na maioria das vezes, uma ultrassonografia é feita no momento da punção da tireóide para guiar o local em que a agulha deve ser introduzida.
Em alguns casos, especialmente quando há produção excessiva de hormônios tireoideanos, é solicitado um exame denominado cintilografia de tireóide.

Qual o tratamento dos nódulos de tireóide?
Em alguns casos, será sugerido apenas acompanhamento clínico, sem necessidade de uso de medicamentos ou cirurgia. Nesses casos, o nódulo deve ser acompanhado periodicamente com dosagens hormonais e ultrassonografias seriadas. Pode permanecer do mesmo tamanho, regredir ou, raramente, crescer. Caso cresça, o nódulo merece nova avaliação.
Os nódulos que produzem hormônios em excesso geralmente são tratados com iodo radioativo, um tratamento simples que leva a uma redução progressiva do nódulo e resolução do problema em 2 ou 3 meses. Alguns nódulos também podem ser tratados com injeção de etanol. Este procedimento pode ser doloroso.
Alguns casos necessitam cirurgia: nódulos malignos (câncer) ou suspeitos, nódulos que causam compressão de estruturas próximas à tireóide. A cirurgia de tireóide e simples e tem poucas complicações, se realizada por um cirurgião experiente.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Tiroidite de Hashimoto

A tiroidite de Hashimoto é uma doença auto-imune que leva a uma inflamação da tireóide. A tireóide é uma glândula localizada no pescoço que produz hormônios (T3 e T4) responsáveis pela regulação de vários aspectos do nosso metabolismo, como a frequência cardíaca e a queima de calorias. Ela é composta de dois lobos que se ligam através de uma “ponte” denominada istmo. Além do T3 e do T4, a tireóide também produz um hormônio chamado calcitonina, que participa da regulação do metabolismo ósseo. Todos nós temos tireóide (exceto quem nasceu sem a glândula por uma anomalia congênita, o que é muito raro, ou quem a retirou cirurgicamente). A função da tireóide é controlada por uma glândula denominada hipófise, através da secreção de um hormônio chamado TSH.

O que é uma doença auto-imune? O que é tiroidite de Hashimoto?
Doenças auto-imunes de um modo geral ocorrem quando o organismo interpreta algo próprio do indivíduo como sendo uma molécula estranha. A função do sistema imune, de uma forma simplificada, é atacar o que não é próprio ao organismo, como bactérias ou células infectadas por virus. Na doença auto-imune, o sistema imune “se engana” e passa a atacar algo que é do próprio indivíduo como se fosse estranho. Isso não quer dizer que o sistema imune está debilitado ou enfraquecido para suas outras funções. Quando a auto-imunidade se dirige à tireóide, pode causar a Tiroidite de Hashimoto ou outra doença chamada Doença de Graves. A tiroidite de Hashimoto cursa com produção de anticorpos específicos e uma inflamação da tireóide, o que pode levar a uma destruição de boa parte de suas células.

Por que tenho tiroidite de Hashimoto?
Não se sabe ao certo o que causa isto, mas há um componente genético envolvido. Fatores ambientais ainda não esclarecidos também podem estar implicados. A doença é mais comum em mulheres, especialmente de meia-idade.

Quais os sintomas de tiroidite de Hashimoto?
Algumas pessoas podem não sentir nada e ter função da tireóide normal, enquanto outras podem passar a apresentar hipotiroidismo. Este é o nome que damos à função insuficiente da tireóide. Ela pode ser detectada a partir de sintomas e sinais clínicos ou de um exame de sangue de rotina. Os sinais podem ser bastante inespecíficos e por isso muitas vezes nem percebidos pelo paciente, como constipação (“prisão de ventre”), maior sensação de frio, pele seca, inchaço, aumento de peso, fraqueza muscular, desânimo, voz rouca e aumento do colesterol. Em alguns casos, a tireóide pode estar aumentada, causando uma protuberância no pescoço, ou bócio. A causa mais comum de hipotiroidismo é, de longe, a tiroidite de Hashimoto.

Que exames são necessários?
Geralmente são necessários apenas exames de sangue, para diagnosticar e acompanhar o tratamento do quadro. No hipotiroidismo, os exames de sangue indicam diminuição dos hormônios da tireóide (T3, T4, T4 livre) e um aumento do TSH. De forma simplificada, este aumento ocorre porque a hipófise aumenta a secreção de TSH na tentativa de estimular a tireóide a trabalhar mais. O T4 livre é a forma ativa do T4, não conjugada a outras proteínas. Geralmente é suficiente a dosagem de TSH e T4 livre para avaliação da função da tireóide, sem necessidade de medir T3 ou T4 total. Anticorpos ligados à tiroidite de Hashimoto também podem ser dosados, para confirmar que esta é a causa do hipotiroidismo, como anti-tireoperoxidase (ou anti-TPO). Se houver nódulos de tireóide, outros exames podem ser necessários.

O que é hipotiroidismo subclínico?
É uma forma bastante branda de hipotiroidismo, geralmente sem sintomas, com aumento de TSH e hormônios da tireóide dentro dos valores normais. Isso quer dizer que a tireóide o próprio organismo está conseguindo manter uma função da tireóide normal graças ao estímulo extra da hipófise. O hipotiroidismo subclínico pode evoluir a uma forma avançada, com franco hipotiroidismo. Por este motivo, merece um acompanhamento especial e às vezes deve ser tratado para evitar esta evolução.

Como é feito o tratamento da tiroidite de Hashimoto?
Caso haja hipotiroidismo, é necessário tratamento clínico com reposição de hormônios da tireóide. O tratamento é simples e, se a dose da medicação estiver correta, não traz efeitos colaterais, visto que somente restaura a normalidade da função da tireóide. A medicação utilizada é a levotiroxina (forma sintética do T4), cuja dose varia de pessoa para pessoa, na forma de comprimido (oral) uma vez ao dia (em jejum). Um pouco depois do início do tratamento, há início de uma sensação de melhora do cansaço, que se perpetua ao longo das próximas 4 a 6 semanas. O tratamento é contínuo, para a vida toda. Serão feitos exames de sangue periódicos para a juste da dose adequada da medicação para o seu caso (a cada 4 ou 6 semanas). Quando esta dose for encontrada, o exame de sangue passará a ser anual.
Quando o hipotiroidismo não é tratado, pode causar problemas cardíacos, depressão, aumento do colesterol e mixedema (uma condição rara e grave que aparece em pessoas com hipotiroidismo prolongado sem tratamento adequado, com profunda deficiência de hormônios da tireóide). Em mulheres grávidas, o hipotiroidismo não tratado pode provocar problemas de desenvolvimento no feto. Por outro lado, se o tratamento for adequado, a gravidez transcorre normalmente.